Grécia

 

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Se a Grécia sair do euro esperem o Caos :

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O colunista do FT diz que saída da Grécia do euro poderá provocar uma corrida aos bancos em Portugal, Irlanda, Itália e Espanha.

O colunista do Financial Times diz que os defendem que a saída do euro é a melhor solução para a Grécia devem "ter cuidado com o que deseja". Martin Wolf assegura que os riscos da saída da Grécia da moeda única "são graves" e "o perigo de contágio é óbvio".

Depois de a Grécia ter anunciado novas eleições e diversos responsáveis europeus terem admitido a hipótese daquele pais abandonar o euro, o colunista do Financial Times traça hoje um cenário negro caso se torne realidade. Martin Wolf alerta mesmo para o risco de uma crise global.

O colunista do FT assegura que "a saída da Grécia, particularmente se ocorrer de forma desordenada, provocará muito provavelmente uma corrida aos bancos
em Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, e mesmo a outros países considerados mais sólidos".

O economista alerta ainda para o perigo de uma guerra civil na Grécia: "Seria o caos. Policias e soldados não pagos não são susceptíveis de manter a ordem.
Saques e tumultos poderiam ocorrer. Uma guerra civil ou um golpe seria concebível. Qualquer nova moeda desvalorizava e a inflação dispararia".

Wolf conclui o seu extenso artigo publicado hoje no FT dizendo que a saída da Grécia iria criar a necessidade de seguir por dois caminhos:
"criar uma união mais forte ou um futuro de crises intermináveis".

"Será a escolha que o país credor dominante, a Alemanha, deve fazer - avançar com grandes passos para uma verdadeira integração, cenário que horroriza muitos alemães, ou um futuro de crises intermináveis. Não existem boas escolhas. Mas a zona do euro deve tornar-se uma união mais forte ou desaparecerá

 

fonte: Diário Económico.

 

 

Consequências se a Grécia sair do euro :

Possíveis consequências dividem opiniões e, no pior cenário, vão desde recessão generalizada até à dissolução do euro ".

Se a Grécia deixar o euro, dúvidas recaem sobre Espanha, Portugal e Itália

A possível saída da  Grécia  da zona do euro é cercada de incertezas, mas parece ser cada vez mais iminente. Sem consenso para a formação de um novo governo após as eleições parlamentares, o clima é de apreensão. O Citi já elevou o  risco de abandono da moeda pelos gregos para até 75%.

 

Calote (ou não) :

A grande dúvida que cerca a saída da Grécia da zona do euro é: como ficam os credores externos do país?  “Em caso de um calote, os bancos ficariam em situação delicadíssima. Seria um desastre financeiro nunca antes visto”, opina Manuel Enríquez Garcia, professor de economia da Faculdade de Economia, Administração
e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP).

O professor acredita, no entanto, que o Banco Central Europeu e os governos da França e da Alemanha não deixariam isso acontecer, já que o “efeito dominó” poderia fazer com que a crise se alastrasse e tomasse proporções desastrosas.

Isso significaria que ambos os países, que já carregam nas costas os custos mais pesados da manutenção do bloco, teriam que tirar mais uma vez a mão do bolso para salvar os seus bancos e evitar um colapso geral do sistema financeiro.

 

Efeitos colaterais :

Mesmo que os governos dos países mais “saudáveis” do bloco venham ao socorro dos credores da Grécia, os investidores afastar-se-ão dos países mais “arriscados”, como Espanha, Portugal, Itália e Irlanda, buscando portos mais seguros para o seu dinheiro. O custo de empréstimo para estes países ficará ainda mais alto, o que causará ainda mais problemas para cada um deles, individualmente, e para o bloco.

“A incerteza já está levando muitos a tirar o dinheiro e ir embora”, diz Garcia. “O grande problema é que vai ficar a expectativa de quem vai ser o próximo”, opina Carlos Honorato Teixeira, professor do Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração (FIA).

 

Para a economia grega, os efeitos imediatos serão drásticos, embora especialistas concordem que, a longo prazo, a medida permitiria a recuperação do país.

O primeiro efeito será a volta do dracma ou a adopção de uma nova moeda que, deverá valer entre 50% a 80% a menos que o euro, na avaliação de analistas.

 

Corralito :

A consequência imediata será uma corrida aos bancos para a retirada em euros antes que a nova moeda comece a vigorar. Para evitar o colapso do sistema bancário,
o governo poderá recorrer ao “corralito”, medida estabelecida pela Argentina quando deu o calote. Para evitar as retiradas em massa, o governo congelou os fundos dos cidadãos e estabeleceu limites semanais para a retirada de fundos.

 

Quebradeira :

Mesmo que o governo intervenha, é possível que alguns bancos não tenham fôlego para sobreviver. Empresas com dívidas em euro provavelmente não conseguirão pagar aos seus credores , já que o débito aumentará consideravelmente de tamanho em relação ao valor da nova moeda , e quebrarão também.

 

Inflação galopante :

A  inflação galopante  é outro efeito esperado dentro da economia grega. “O governo terá que agir rápido para colocar moeda no mercado, mas vai jogar dinheiro sem lastro”, explica Teixeira.

Com excesso de dinheiro em circulação e escassez de oferta, os preços começam a subir. Com a desvalorização da moeda, os preços de produtos importados também devem disparar, o que é um problema grave já que a Grécia importa 40% dos alimentos que consome, quase todo o seu petróleo e gás natural, e grande parte dos seus medicamentos.

 

 

 

Activos desvalorizados :

Outra consequência será a desvalorização dos activos gregos, já que haverá uma corrida de liquidação dos investimentos no país.
“Vai ser possível comprar ilha grega a preço de banana”, brinca Teixeira.

Sem dinheiro nos cofres do governo para pagar os salários de servidores e aposentados, entre outros benefícios sociais, a população que já enfrenta taxa de desemprego de mais de 21% e agravamento da pobreza deve ficar em situação ainda mais crítica.

 

A volta por cima da Grécia :

Se, por um lado, a saída do euro significaria o  colapso económico e social da Grécia , em um primeiro momento, por outro pavimentaria o caminho para a volta por cima do país. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB encolheria pelo menos 10% no primeiro ano. O UBS é ainda mais agressivo na sua previsão: a economia grega poderia encolher entre 40% e 50% logo após a saída do euro. Mas depois da tempestade, viria a calmaria. Com liberdade monetária e sem o peso das medidas de austeridade impostas pelo bloco, o país ganharia fôlego para se reestruturar e voltar a crescer no futuro.

 

O fim do euro? :

Não há consenso entre os analistas quanto ao futuro do euro sem os gregos. Enquanto alguns apostam que a saída da Grécia tornaria a moeda mais saudável, outros acreditam que ela não se sustentaria. Para  Paul Krugman , economista e colunista do New York Times, o euro poderia dissolver-se em questão de meses.

Já para o economista  Nouriel Roubini  , conhecido por ter previsto a crise financeira de quatro anos atrás , a Grécia não levará consigo países como Portugal, Espanha
e Itália. ”Economias sem liquidez, mas potencialmente solventes, como Itália e Espanha, necessitarão do apoio da Europa independentemente da existência da Grécia”, afirma. As perdas para o continente recairão, segundo Roubini, principalmente sobre instituições financeiras centrais da zona do euro, que teriam fôlego para superá-las.

 

revista: Exame.

 

 

 

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