Máfia

 

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18 de Junho de 1982, pelas 7h30, um carteiro encontrou o cadáver de Roberto Calvi, “Banqueiro de Deus” dirigente do Banco Ambrosiano, cujo principal accionista era o Vaticano. ( IOR, Instituto para as Obras Religiosas, Banco do Vaticano).

Roberto Calvi tinha os seus 62 anos, jazia morto, os bolsos do seu fato tinham mais de 5kg de pedras, toda a vida usara bigode, mas agora estava sem ele, tentara rapar o bigode para escapar despercebido de Itália ,com passaporte falso.

Ele era antigo membro da loja maçónica P2 (Propaganda dois), os membros da seita denominavam-se blackfriars (Frades negros).

O relatório oficial apontou para suicídio, porém o cadáver foi exumado 16 anos depois e concluiu-se que fora assassinato.

O crime foi atribuído á Máfia, alegadamente insatisfeita porque fundos tinham-lhes sido desviados.

As investigações concluíram que : Numa série de operações ilícitas que o levaram à bancarrota, O Banco Ambrosiano lavava dinheiro da máfia italiana proveniente
do tráfico de droga e armamento.

O Vaticano acabou por assumir “responsabilidade moral” pelo colapso do Banco e pagar uma parte da dívida aos credores.

O presidente do Banco do Vaticano era o arcebispo Paul Marcinkus ,ele pertencia à loja maçónica P2, que é considerada uma organização criminosa com ligações à máfia , pelas autoridades italianas. E João Paulo II nunca aceitou tirar-lhe a imunidade para que ele fosse julgado, o Papa chegou mesmo a colocá-lo na lista de promoções a cardeal !

Um terceiro homem envolvido no caso, foi Michele Sindona, membro da máfia siciliana, condenado à prisão perpétua pelo assassinato de um magistrado que investigava os seus negócios. Morreu na cadeia depois de ter bebido café envenenado com cianeto. Ele também era membro da P2.

Na casa de Licio Gelli ( ex Mestre da P2) foi encontrada uma lista com mais de 900 nomes de pessoas pertencentes à maçonaria italiana.
Lá constavam nomes de ministros, deputados, generais, chefes dos serviços secretos italianos, directores de jornais, banqueiros, magistrados, prelados ligados ao Vaticano etc.

Paulo VI afirmara um dia “ Por alguma brecha o fumo do demónio penetrou o templo de Deus “..

 

fonte:

Revista Sábado ,nº 153, 4 a 11 de Abril 2007.

Capa negra, com o título “ As conspirações no Vaticano “

 

 

Lavagem de dinheiro :

 

O Banco do Vaticano é uma espécie de offshore no interior da cidade-estado.
Mas esta qualificação tem um lado negro: corporiza as suspeitas sobre o envolvimento da Igreja Católica em processos financeiros opacos e, às vezes,ilegais.
Nas últimas decadas as dúvidas aumentaram e deixaram de ser comentadas apenas em circulos fechados.

O Vaticano enfrenta todo o género de acusações, mas a dificuldade em explicar a sua forma de funcionamento aumenta a desconfiança.


O primeiro grande escândalo esteve directamente ligado ao ouro roubado aos judeus pelos nazis. Segundo o Simon Wiesenthal Center-organização judaica que persegue em todo o mundo os criminosos nazis ,o Banco do Vaticano recebeu ouro, prata e jóias roubadas pelas tropas de Hitler durante a segunda guerra mundial, limpando-as de qualquer suspeita.
Em troca deste serviços de branqueamento, a Igreja teria ficado com uma percentagem dos tesouros roubados.


O segundo escândalo que rebentou no Banco do Vaticano teve a ver com a mesma fraude: lavagem de dinheiro, neste caso com possiveis ligações à máfia e a movimentos de extrema direita relacionados com a Loja maçónica P2. A história tem um enredo de romance policial.
Em 1981, o Banco Ambrosiano, na altura a principal entidade privada financeira italiana, entrou em colapso, deixando mais de 1,3 mil milhões de dólares em créditos irrecuperáveis.
O Financial Times chamou-lhe "a mais grave crise da banca ocidental" e ainda hoje as suspeitas à volta do proceso continuam por apurar.

O jornal económico não se enganou na dimensão do buraco, nem na gravidade dos actos cometidos por Roberto Calvi, o admnistrador do Banco.
Conhecido como "banqueiro de Deus", devido aos seus preciosos contactos no Vaticano, em dez anos Calvi montou um esquema que fez disparar o valor da empresa.

O truque era simples: abria sucursais do Ambrosiano em paraísos fiscais e criava companhias-fantasma que pediam empréstimos ao ambrosiano.
O dinheiro cilculava à margem do controlo das autoridades. Acontece que o dono dessas empresas era quase sempre o banco ou, noutros casos, o próprio Vaticano.

E acontece ainda que a origem desses financiamentos era muitas vezes estranha: dinheiro de milionários italianos desejosos de não pagar impostos e dinheiro oriundo da economia paralela, provavelmente da máfia.
O que fazia o Vaticano metido com uma pessoa como Roberto Calvi ? Na realidade não era apenas Calvi, era também Michele Sindona, conselheiro financeiro do vaticano nos anos 70, mais tarde acusado de ter provocado o colapso do Franklin National Bank, em Nova Iorque, e finalmente condendo a 25 anos de prisão.
Sindona e Calvi tiveram um fim à medida dos negócios envolvidos: trágico.

O primeiro foi envenenado na prisão com cianeto. O segundo, apareceu enforcado debaixo de uma ponte em Londres, a ponte dos frades negros (Black-Friars Bridge).

roberto calvi     Michele Sindona

 

 

Artigo de 24 de Novembro de 2000 «Folha online »

O Banco do Vaticano pediu a um tribunal dos Estados Unidos que rejeitasse o processo que o acusava de ter recebido ouro e outros bens roubados pelo regime nazi.
O banco alegou que o Vaticano tem imunidade porque é um Estado independente, disseram advogados do caso . Link Aqui .

 

 

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